O que a morte de João Batista pode nos ensinar sobre propósito [no ministério, na profissão e nos negócios]

“E mandou que cortassem a cabeça de João Batista, na cadeia.” Mt 14.10

Que fim trágico! A cabeça servida numa bandeja, pelo capricho de uma menina. Esse é o fim de um homem próspero? De um homem abençoado por Deus?

Tenho ouvido muito que não importa como você começa, mas sim como você termina… Mas tenho minhas dúvidas.

João foi profeta, escolhido desde o ventre da sua mãe. Esse sabia qual era o seu chamado, sabia seu propósito. E viveu para cumpri-lo. Então, por que parece que deu errado no final?

NEM SEMPRE O QUE PARECE REALMENTE É

Você pode até pensar que é um gif, mas não.

Pode ser difícil concordar à primeira vista, mas não deu errado. Porque quem vive para cumprir um chamado não deve viver para satisfazer suas vontades, mas sim daquele que o enviou. O cálculo, se deu certo ou não, deve ser feito pelos critérios de quem deu a missão, pois foi ele quem planejou tudo, é ele quem tem o roteiro em mãos.

João Batista preparou o caminho para o Messias. Essa era a sua missão. Ele estava consciente de que não era sobre ele, não era pra ele – era para quem viria após ele. Quando Jesus finalmente apareceu, ele entendeu que seu tempo estava terminando, que era o momento de diminuir, para que o verdadeiro motivo da missão aparecesse. E você? Está pronto, pronta, a diminuir pra que o motivo da sua missão cresça?

SUA MISSÃO É MAIOR DO QUE VOCÊ

Seja qual for a sua missão ela é mais importante que você. Pode até parecer que apenas pastores, levitas, líderes de projetos sociais é quem tem uma missão assim, que precisam diminuir. Mas não. Acredito num evangelho integral, onde a igreja (como corpo de Cristo, não como instituição) está misturada à sociedade, como o fermento está na massa do bolo. Dessa forma, seja você pastor, político, advogado, empreendedor, vendedor ambulante, você tem uma missão.

E não acredito que você tenha uma missão na igreja (instituição), ou restrita aos meios e motivações eclesiásticos, como por exemplo, sendo advogado profissionalmente e levita na igreja. Pode até ser, nada de errado nisso. Mas eu acredito que é possível ir além, misturar mais esse fermento à massa, como quando você é advogado e essa é sua missão. Advogado, professor, atendente de caixa… Acredito firmemente que devemos florescer onde estamos plantados, com os dons e talentos que temos, sem precisarmos dividir “vida ministerial” de “vida profissional”. Temos uma vida só e toda ela, integralmente, deve ter o objetivo de cumprir nossa missão. (Esse é um tema bem vasto e complexo, e prometo escrever um post só sobre ele, ok?)

VOLTANDO A JOÃO BATISTA…

Então, voltando ao nosso profeta, quero compartilhar duas lições que aprendi, lendo e refletindo sobre sua vida e sua morte:

1. A missão deve brilhar, não você


Seja na igreja ou fora dela, você precisa entender que sua missão não é sobre você, não é pra você – é com você. Ela existe por causa de quem será servido por ela e por causa de quem o enviou, não por sua causa.

Assim como o sentido da existência de um embaixador são os cidadãos a quem ele serve e o Estado que o enviou, não ele próprio, sua missão existe por causa daquele que o enviou e dos que serão atendidos por ela: seu discípulo ( se você é um pastor); a igreja (se você é um levita); seu cliente (se você é um empreendedor); seu paciente (se você é um médico), e assim por diante. O embaixador não faz nada para ele mesmo. Ele pode até se divertir, gostar, se sentir útil, crescer profissionalmente, ganhar bem pela função que exerce, receber honrarias… enfim, ele pode até se beneficiar por estar nessa posição. Mas esse não é o objetivo principal da posição. Deu pra sacar?

Dito de outra maneira, podemos pensar nos dons e talentos que temos. Eles não são pra gente mesmo, eles não são um fim em si mesmo: são para servir alguém. Se você sabe cozinhar muito bem, é para outros saborearem. Você sabe cantar divinamente? É para outros ouvirem.

Qual o sentido de um talento que serve só a si próprio? Nenhum. Ele é um talento que foi enterrado: não cresce, não se multiplica, não serve pra nada. O problema é que esquecemos disso na caminhada e acabamos achando que é pra gente mesmo. Mas não é. É para o próximo.

Não tenha medo quando parecer que você não está aparecendo muito, que seu nome não vai ser lembrado, que você, enquanto indivíduo, está ficando esquecido. Se sua missão, se aqueles a quem você veio servir estão sendo servidos, você está na direção certa.

2. Você pode não ter sinais muito visíveis de sucesso e ainda assim sua missão ser um sucesso

João Batista teve uma morte trágica e, quem viu a cabeça dele na bandeja pode ter pensado: “Começou tão bem e olha só como terminou”. A missão se refere a algo maior e, muitas vezes, não pode ser medida por critérios, digamos, comuns. Sucesso é uma palavra só, mas que possui significados muito diferentes de pessoa pra pessoa.

Sinais de sucesso muito comuns são: ter casa, carro, salário alto, posição de liderança… Mas, se isso não for sucesso PRA VOCÊ, você terá a sensação de fracasso.

Quem viu a cabeça de João Batista naquela bandeja pode ter dito que ele fracassou. Mas eu, pessoalmente, acredito que ele não entendia assim. Ele devia ter aquela sensação de dever cumprido que, quando tudo chega ao fim, vale muito mais do que qualquer sinal externo de sucesso. Ele sabia que aqueles a quem ele veio servir foram servidos – ele anunciou o caminho do arrependimento. Ele também sabia que havia cumprido o roteiro estabelecido por aquele que o enviou – ele preparou o caminho para o Messias. Ele cumpriu seu propósito.

Como disse no início, tenho ouvido muito que não importa como você começa, mas sim como termina. Eu tendo a acreditar que, mais importante que o início e que o fim, que o que faz diferença mesmo, é o durante!

E você? O seu “durante” está te conduzindo pra qual “fim”? Um fim de “sucesso” externo, para os outros, ou um fim de sensação de missão cumprida?

4 thoughts on “O que a morte de João Batista pode nos ensinar sobre propósito [no ministério, na profissão e nos negócios]

  • Muito bom o texto, prendeu minha atenção, estou nesse momento da minha vida, quero desatar, cumprir minha missão,fazer a vontade do Pai junto a sociedade, e preciso dessa ajuda.

    • Oi, Edina. Fico feliz em ter sido útil.
      Se quiser, podemos marcar uma conversa pra ver como posso ajudar você a desatar completamente 😉

  • Muito bom a reflexão e o texto, isso serviu para mim, e digo mais, eu não sei “ainda” qual é a minha missão o meu propósito mas estou em busca.

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