Vocação – Uma entrevista com Analzira Nascimento

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Passeando pela blogosfera, eis que me deparo com essa entrevista da Analzira Nascimento. Essa irmã em Cristo coordena o Com.Vocação, um movimento da JMM, voltado para despertar os jovens para viverem seu chamado.

O tema da entrevista tem tudo a ver com a gente. Ela reflete sobre vocação e juventude. Vamos dar uma conferida? A entrevista foi publicada originalmente no site da Ultimato.

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O que você entende por vocação?

Analzira – Podemos encontrar muitas definições para vocação. Começando pelo dicionário e passando por livros interessantes que eu indicaria e que explanam o tema com mais profundidade, como: “Vocação” de Darrow Miller, “Sendo quem eu quero ser: torne-se a melhor versão de você mesmo” de John Ortberg; “Chamados por Deus: resgatando o sentido da vocação para o cristão hoje”, organizado por Durvalina Bezerra, e outros.

Vocação é algo dinâmico! A caminhada para as definições tem a ver com sintonia, digamos, uma “conexão com o wi-fi” de Deus! Vocação é estar atento ao movimento de Deus em cada geração. Tem a ver com uma decisão de querer participar do que Ele está fazendo no mundo e disponibilizar o que tenho, o que sou e o que sei fazer para o cumprimento desse propósito dele para toda a sua criação.

Trabalhei por 17 anos em Angola, e na volta ao Brasil coordenei por sete anos o Projeto Radical (da Junta Batista de Missões Mundiais), que envia jovens para diferentes regiões do planeta. Atualmente, estou focando minha atuação em contribuir para que mais pessoas descubram seu lugar no projeto de Deus para o mundo.

Mesmo que a descoberta da vocação não seja algo definido por faixa etária, parece que é na juventude, quando estamos dispostos a definir o rumo de nossas vidas, que este desejo é grande. Que conselhos você daria para um jovem cristão que busca descobrir sua vocação?

Analzira – Precisamos compreender que fazemos parte de uma história maior, a história de Deus. E assim a vida só tem sentido quando estamos trabalhando com Deus para os mesmos objetivos. Tem uma frase atribuída a Abraão Lincoln citada num momento de crise: “A bússola indica o norte, mas não diz como você vai chegar”. Deus revela sua vontade em uma vivência diária de busca por obediência a Sua Palavra e desejo de entrega total. É uma decisão pessoal de viver para a glória de Deus não importa onde estejamos. As definições específicas vão acontecendo naturalmente e o quebra-cabeça vai fazendo sentido em nossa vida.

Ser jovem hoje não é algo tranquilo. Além das pressões culturais para uma vida longe de Deus, o excesso de informação pode trazer mais confusão do que discernimento. Como a descoberta da vocação pode ajudar um jovem a viver plenamente sua juventude?

Analzira – Sua vida passa a ter sentido quando constata que a sua vocação pode estar a serviço do cumprimento do propósito de Deus para o mundo. Você descobre o seu lugar na história de Deus.

Como tenho falado para eles: “não estou no mundo a passeio, tenho uma missão a cumprir”. Descobrir nossa missão de vida faz todo sentido. Sendo ou não missionário, é isto dá sentido para nossa vida: caminhar na direção de uma definição do projeto de vida para cada um de nós.

As igrejas locais estão preparadas para lidar, com jovens vocacionados?

Analzira – A grande maioria reforça o discurso que só o pastor ou alguma outra liderança eclesiástica e o missionário são vocacionados. Mas Deus chamou a todos nós para viver para a Sua glória, pertencer à sua família e servi-lo onde estivermos.

Quando Deus levanta na comunidade local pessoas com vocação missionária ou pastoral, tenho constatado que geralmente a caminhada é solitária, e acaba dependendo muito das iniciativas do candidato em buscar orientações, leituras, eventos etc. São poucos líderes que estão pastoreando estes vocacionados para o trabalho ministerial. Eles precisam ser abraçados, acompanhados e mentoriados.

Você tem uma vasta experiência como missionária na Angola em um contexto de guerra e perigos. O que a fez persistir em sua vocação?

Analzira – É fundamental buscar confirmações de Deus e testemunho da sua comunidade. A certeza de que eu era uma missionária chamada por Deus me fazia persistir. Resiliência caminha ao lado das convicções. Depois que você descobre onde pisar, como e quando. Pode se jogar no escuro e cair na piscina! Eu brinco com os jovens: quem convida paga a conta!

Você acredita que a busca por uma vocação pode ser fuga da realidade e não descoberta da vontade de Deus? Como fugir desta tentação?

Analzira – A Bíblia diz que “um coração quebrantado e contrito, não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51.17). Se pedimos de todo coração que Ele cumpra em nós os Seus propósitos e desejamos realmente nos submeter ao Seu comando, Ele vai se revelar a nós e confirmar os nossos passos. Todos temos dúvida no momento de crise. Eu tive dúvidas em alguns momentos difíceis: “mas Senhor… tu me chamaste mesmo ou fui eu que decidi por minha conta?”

Você está na liderança do Movimento Vocare. Uma das ações do movimento é a realização de um grande evento. Na próxima semana (21 a 24 de abril), centenas de jovens estarão juntos na segunda edição deste evento. Como o Vocare pode ajudar a juventude a descobrir sua vocação?

Analzira – O evento tem uma proposta fantástica. Toda a programação foi construída carinhosamente objetivando trazer luzes e instrumentalizar o jovem na sua caminhada de descoberta da sua vocação aqui no mundo. Vamos trazer contribuições para ele vislumbrar novas possibilidades que facilitem fazer boas escolhas.

Em seu livro Evangelização ou Colonização?, você questiona o risco de evangelizarmos, mas sem prestarmos atenção no outro. Você acha que um erro tão básico como este tem a ver com uma compreensão errada de vocação?

Analzira – Com certeza. Durante séculos reproduzimos o paradigma que privilegia só o clero como agentes legítimos da missão. O clericalismo fortalecia essa ideia e contribuiu para uma concepção errada de vocação. Darrow Miller comenta em seu livro que “todos somos chamados para viver todas a nossa vida na presença de Deus, sob autoridade de Deus para a honra e a glória de Deus. Estamos todos em uma missão. Somos todos missionários”.

Você pode conferir a publicação original clicando aqui.

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